sábado, 18 de agosto de 2012

Desespero e afins

"Sabe, eu queria falar com você. Porque você é médico e tal e pode me ajudar. É que eu ando meio tenso ultimamente, nervoso, sabe? Não consigo dormir direito, me irrito facilmente. As vezes eu choro sem motivo nenhum (começa a chorar). Queria que você me dissesse se eu tenho algum problema na minha cabeça, sabe? Me dizer o que está acontecendo comigo e como você é médico, sei que posso confiar em você, que você não contará às minhas irmãs nem a ninguém. Então você acha que pode me ajudar?"

"Cara, eu sou dentista"

ps: Punch-Drunk Love, de Paul Thomas Anderson

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Semi Terapêutico

Eu quero ou preciso?
Escrever se tornou uma necessidade nas madrugadas não mais que ordinárias onde a dor assola e nada mais passa na mente que não o abraço gélido da morte. Mas o que faz da escrita algo semi terapêutico? Digo semi, porque é momentâneo. Escreve-se, logo se sente melhor, mas depois de um tempo tudo volta ao normal. É preciso uma eterna constância disso para não ceder como Werther o fez.

Mas ainda não respondi a pergunta inicial: é vontade ou necessidade? Não me acho criativo na forma literária (ou talvez em nenhuma forma), o que por si só, conta ponto para o necessário. Mas por outro lado, eu quero escrever para tirar tudo aquilo que vem no cérebro de uma só vez e que preciso tirar de mim antes que me consuma por completo. O que conta ponto para a vontade.

Eu não sei me comunicar. Acho que nunca soube. As coisas se perdem no caminho do cérebro até a boca. Então, escrever se torna o intermédio, a minha vontade de comunicação, de desabafo. Aquilo que a boca não quer dizer, os dedos revelam. Mas isso seria o necessário ou a vontade? Talvez o necessário. Talvez...

Não sei se consigo chegar a uma conclusão certa sobre isso, mas sei que a literatura deixo para àqueles que possuem talento para isso. Que saibam se expressar de todas as formas e consigam criar as mais belas sentenças num texto. O que faço é só falar aleatoriamente, ou melhor, escrever. Fluxo de consciência. Aquilo que não passa pelo autocensura para ser dito.

Minto! Entendo agora porquê escrevo.
Escrever não é preciso
Escrever se faz necessário

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Uns outros

Há aqueles que tem
Há aqueles que não tem
Há aqueles que amam
Há aqueles que odeiam
Há aqueles que são indiferentes
Há aqueles que choram
Há aqueles que riem
Há aqueles que enfrentam
Há aqueles que desistem
Há aqueles que dizem sim
Há aqueles que dizem fim
E ainda há outros.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Encontros

Uma alma caminhava bem vestida
Uma alma estava sentada no chão.
Uma voltava do trabalho
Uma rugia de fome
Uma possuía dinheiro no bolso.
Uma não possuía nada
Um dia essas almas se encontraram numa noite gélida
Uma pedia esmola
Outra passava despercebida.
Seus olhos se encontraram por um instante
Um olhar de fome e necessidade
Um olhar de desprezo e autossuficiência
Um só instante e pronto. Passaram-se
Nunca mais se encontrariam
Pois, enquanto uma alma comia
A outra passava fome
Enquanto uma alma dormia
A outra cedia ao frio.

Um fim de semana

Saiu do trabalho correndo. Pegou o ônibus cheio, trânsito da hora do rush. Chegou em casa, nem comeu, nem respirou direito. Somente trocou-se, se arrumou e saiu.

Pelo resto da noite deixou à amargura e a ansiedade de lado. Era uma outra pessoa ali. Gritou, dançou, pulou. Libertou-se de tudo e de si mesma ao som do filho da dor. Ao som do pai do prazer.

Tempo

O futuro pode ser moldado
O passado por ser mudado
O presente é estável.

um mal amado

Ela era a praia a qual eu tomava sol
Ela era o perfeito sonho dos amantes
Ela era o unguento para qualquer male
Ela era o cheiro de chuva pela manhã
Ela era o fim da saudade e da distância
Ela era a caminhada pela manhã. Com os pés descalços na grama
Ela era a brisa refrescante que toca o rosto no calor
Ela era o choro de emoção
Ela era o grito de prazer
Ela era tudo aquilo que ansiava ter
Ela era o poema de rimas perfeitas e métrica precisa,
o qual nunca escrevi
E nem conseguiria

Ela se foi
Levando minha sede e minha fome
Levando meu sono e meu ânimo
Levando minha inspiração e preguiça
Levando minha fala e atenção
Levando tudo o que me restava

Deixou-me somente uma frase
O qual ela não sabia que a pertencia:
"Eu a amo e ela nem sequer sabe disso"


Da tristeza e outros assuntos

Não grite sua infelicidade muito alto.
A impaciência tem sono leve
E o desprezo também.

Fluxo

Crescente.
Tinha vontade de falar, mas sobre o quê?
Tinha vontade de escrever, mas para quem?
Formava palavras aleatórias na cabeça: depressão, atenção, cansaço, poesia, morte.
Nada disso formava algo. Não! Absolutamente nada.
O cérebro criava imagens, palavras, frases, mas nada saia.
Seria essa a "dor criativa" que o Lourenço Mutarelli falava? A vontade de falar, mas sem saber sobre o que? Ou talvez sabendo sobre o que, mas com quem? Temia a interpretação que suas palavras tomariam? Temia a rejeição?
Todos temem a rejeição, mas isso as impede de criar? Tinha mesmo vontade de criar?
Não! Isso não havia dúvida. Não se considerava um artista, mas criar ele precisava.
Era sua terapia? Por isso escrevia sem pensar no que escreve? Poderia ele agradar a alguem? Melhor, poderia ele agradar a si mesmo?
Sua necessidade de falar era imensa. Sua necessidade de atenção era imensa. Mas não!
Ele não falava nada
Ele não escrevia nada
Só pensava...

Absoluto

Ele resolveu aceitar a vida como bela.
Pensou em todas as coisas boas que ja lhe aconteceram e momentos que pensava ele, faziam a pena estar vivo. Mas ai lembrou do contrário. Lembrou da miséria, lembrou da impotência, de todos os momentos que lhe fizeram mal. Da vida que ele imaginava ter e da vida que levava agora. Desistiu.

Ele resolveu aceitar a vida como ruim
Pensou em todas as coisas ruins que ja lhe aconteceram, todos aqueles momentos que ele pensou em suicídio. Mas ai lembrou do contrário. Lembrou de seus amigos, de seus pequenos momentos de prazer, de sua família. Dos dias que ele foi feliz e sabia. Também desistiu.

Ele então resolveu aceitar a não existência de absolutos.
Ele finalmente viveu em paz consigo mesmo.