domingo, 14 de abril de 2013

Multidão solitária

"Todos são assim"

Do que adianta que todos sejam assim, como eu, se eles não podem me ajudar assim como eu não posso ajuda-los?
Antes que fosse só eu a passar por isso. Ao menos teria algo pra exibir de troféu, pra me definir como único, servir de marca minha nesse mundo. Pra que eu possa dizer que existe algo que sem mim não existirá mais. Mas não, eu, assim como outros tenho os mesmos problemas.

Outros, que são tão tristes e apaixonados como eu. Que não podem fazer nadar pra aliviar a minha dor, como eu não posso fazer nada pra aliviar a dor deles.
Todos, solidários.
Todos, solitários.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Espera Constante

"Eu pedi pra ele me matar.
Pedi sim, porque não suportava mais vê-la todo dia.
Pedi sim, porque não encontro mais estímulo
Pedi sim, porque o mundo deixou de ser interessante
Pedi sim, porque não quero levantar, mesmo sem se cansar
Pedi sim, porque não sinto sono, mesmo sem dormir
Pedi sim, porque eu não sinto mais fome, mesmo sem comer
Pedi sim, porque não quero me entreter, mesmo sem fazer nada.
Pedi sim, porque não quero mais companhia, mesmo sentindo solidão.
Ele não o fez.
Eu lhe pergunto: você pode?"

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da negação à aceitação

Nunca que tal estado virá de um pedido
tal estado vem do natural
Nunca que tal estado virá da escolha
tal estado vem do intrínseco
Não é um estado que se escolhe
Tal estado é algo que se consome
Vai alem do seu controle

Não há reais culpados
como ja dizia o poeta:
"você é eternamente responsável por aquilo que cativas"

sábado, 18 de agosto de 2012

Desespero e afins

"Sabe, eu queria falar com você. Porque você é médico e tal e pode me ajudar. É que eu ando meio tenso ultimamente, nervoso, sabe? Não consigo dormir direito, me irrito facilmente. As vezes eu choro sem motivo nenhum (começa a chorar). Queria que você me dissesse se eu tenho algum problema na minha cabeça, sabe? Me dizer o que está acontecendo comigo e como você é médico, sei que posso confiar em você, que você não contará às minhas irmãs nem a ninguém. Então você acha que pode me ajudar?"

"Cara, eu sou dentista"

ps: Punch-Drunk Love, de Paul Thomas Anderson

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Semi Terapêutico

Eu quero ou preciso?
Escrever se tornou uma necessidade nas madrugadas não mais que ordinárias onde a dor assola e nada mais passa na mente que não o abraço gélido da morte. Mas o que faz da escrita algo semi terapêutico? Digo semi, porque é momentâneo. Escreve-se, logo se sente melhor, mas depois de um tempo tudo volta ao normal. É preciso uma eterna constância disso para não ceder como Werther o fez.

Mas ainda não respondi a pergunta inicial: é vontade ou necessidade? Não me acho criativo na forma literária (ou talvez em nenhuma forma), o que por si só, conta ponto para o necessário. Mas por outro lado, eu quero escrever para tirar tudo aquilo que vem no cérebro de uma só vez e que preciso tirar de mim antes que me consuma por completo. O que conta ponto para a vontade.

Eu não sei me comunicar. Acho que nunca soube. As coisas se perdem no caminho do cérebro até a boca. Então, escrever se torna o intermédio, a minha vontade de comunicação, de desabafo. Aquilo que a boca não quer dizer, os dedos revelam. Mas isso seria o necessário ou a vontade? Talvez o necessário. Talvez...

Não sei se consigo chegar a uma conclusão certa sobre isso, mas sei que a literatura deixo para àqueles que possuem talento para isso. Que saibam se expressar de todas as formas e consigam criar as mais belas sentenças num texto. O que faço é só falar aleatoriamente, ou melhor, escrever. Fluxo de consciência. Aquilo que não passa pelo autocensura para ser dito.

Minto! Entendo agora porquê escrevo.
Escrever não é preciso
Escrever se faz necessário

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Uns outros

Há aqueles que tem
Há aqueles que não tem
Há aqueles que amam
Há aqueles que odeiam
Há aqueles que são indiferentes
Há aqueles que choram
Há aqueles que riem
Há aqueles que enfrentam
Há aqueles que desistem
Há aqueles que dizem sim
Há aqueles que dizem fim
E ainda há outros.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Encontros

Uma alma caminhava bem vestida
Uma alma estava sentada no chão.
Uma voltava do trabalho
Uma rugia de fome
Uma possuía dinheiro no bolso.
Uma não possuía nada
Um dia essas almas se encontraram numa noite gélida
Uma pedia esmola
Outra passava despercebida.
Seus olhos se encontraram por um instante
Um olhar de fome e necessidade
Um olhar de desprezo e autossuficiência
Um só instante e pronto. Passaram-se
Nunca mais se encontrariam
Pois, enquanto uma alma comia
A outra passava fome
Enquanto uma alma dormia
A outra cedia ao frio.